R: Num percurso longo de amizade e as vezes com um enorme sacrifico nos entregamos-nos de corpo e alma , amor e dedicação para mais tarde espectarmos atitudes das quais não gostamos . Vemos , sentimos e não fazemos a justiça pois os nossos valores são de tal forma educativos que " pagar pela mesma moeda " torna um grande horror em nós , erraram comigo como eu não pretendo errar assim com ninguém , a minha ética e a minha moral dizem-me para ser amigo daquele que é meu amigo , não do meu colega ou do que faz parecer amigo.
A desilusão é constante na amizade em que nós ajudamos , criamos laços , fazemos muito por essa pessoa , lutamos , recriamos momentos perdidos , e quando ouvimos um não de um pedido que sustem uma negação que causa dor , nós controlamos a tal para não magoar a pessoa embora que o nosso desejo era fazer o contrário . Aqueles que nós julgamos uns dos melhores amigos , que ao fim do cabo nos humilham depois de nos lhe disponibilizarmos todo o tempo para entre-ajuda , eu só sei que depois desta humilhação as coisas não se vão inverter do mal para o bem como se inverteram do bem para o mal , a confiança é uma coisa que se ganha com a luta diária , que não é de um dia para o outro e agora vou ter muita atenção aqueles que são e aos que parecem que são , para as desilusões não constar no meu plano de vida , não quero sofrer por amizade , é das coisas mais dolorosas que alguém pode sentir .
O que fiz por alguém , não posso retirar o tal feito , mas o arrependimento é constante quando somos retribuídos com negações . Mostrar quem eu sou é o que eu faço todos os dias da minha vida , quem faz da minha aparência negativa então a ilusão vai ser retribuída , enquanto eu predomino em mim mesmo alguns mostram-se de seres importantes e amigos interesseiros , nenhum amizade que toca em minhas mãos é interesseira , todas elas tem um motivo especial e um carinho significante . A amizade não é como um produto para o cabelo que só a 2 ou 3 opções , a amizade é como o nascimento , é a criação de algo que estamos a conhecer .
M : Escolhi iniciar este texto a ‘esmiuçar’ o conteúdo do título : ‘’Tudo que te dou, tu não me dás’’.
Acontece que uma pessoa muda, muda e cresce, cresce e aprende, aprende e partilha, partilha e dá .. e agora? O lógico e ideal seria dizer que dá e recebe.. Pois, mas parece que já nada faz sentido, já não há ideologias de cenas lógicas, chegamos a um ponto em que aquilo que esperamos que aconteça acaba por fracassar, os projectos que fazemos são apagados por alguém, do qual esperamos tudo, excepto uma negação.
Fazemos de tudo para conseguir arrancar um sorriso de alguém, para fazer alguém feliz, abraçamos, dá-mos a mão, dá-mos a alma, até mesmo partes do nosso coração, e eu questiono, porque motivo, não me hão-de dar, mutuamente, partes do coração para preencher o espaço vago daquele pedaço que me levaram? Porque não me hão-de dar, também, a alma ou a mão para que eu sinta que ainda consigo sentir o calor humano e o toque requintado de alguém? Porque não me hão-de abraçar, a mim, tal como eu abraço, para que eu me sinta segura? Porque não me hão-de fazer-me igualmente feliz? E por fim escuso de questionar porque não me arrancam um sorriso, pois se não me dão nada do seu coração, se não me fazem levitar a alma, se não me apertam forte a mão, se não me encostam contra o peito num abraço sincero e profundo, se não tentam sequer fazer-me feliz, seria impossível roubarem-me um sorriso.
Mas porque motivo continuo eu a dar aquilo que não me dão? Pois, não sei, mas eu dou tudo que posso, e no fim, no final das contas, eu sou a palhaça deste filme todo, perdida numa imensidão de pessoas, e mesmo assim consigo estar só, ninguém me questiona se estou bem, ninguém se importa, limitam-se a pedir, pedem e eu faço tudo por eles, porém, por mim ninguém o faz.
Então, agora eu digo tudo que tu não me dás, eu não te vou dar, e tudo aquilo que ainda tenho para dar, eu vou dar, mas a outra pessoa que não se chama ‘’tu’’, mas que se chama ‘’EU’’.